Tecnologia financiada pelo Governo da Paraíba identifica qualidade de bebidas alcoólicas no São João de CG

Por: Redação*
Postado 18/06/2026
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Foto: Reprodução

No período do São João, quando festas populares movimentam bares, restaurantes, eventos públicos e o turismo em toda a Paraíba, a segurança no consumo de bebidas alcoólicas também ganha atenção. Nesse contexto, uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), com financiamento do Governo da Paraíba, por meio da por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties) e Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), volta a ganhar destaque por sua aplicação direta na prevenção de riscos à saúde pública, com a campanha “São João Livre de Metanol”, uma ação integrada entre a UEPB e o Procon-PB para ampliar a segurança dos consumidores de bebidas alcoólicas durante os festejos juninos de 2026.

A inovação permite identificar a presença de metanol e outras adulterações em bebidas destiladas de forma rápida, segura e com baixo custo, por meio de um equipamento portátil. O metanol é uma substância altamente tóxica e, quando presente em bebidas adulteradas, pode causar intoxicações graves, cegueira e até morte. Por isso, tecnologias capazes de apoiar a fiscalização e acelerar a resposta dos órgãos de controle têm papel estratégico na defesa do consumidor.

A pesquisa é coordenada pelo professor Railson de Oliveira Ramos, em colaboração com o professor David Douglas Fernandes, ambos do Programa de Pós-Graduação em Química da UEPB (PPGQ-UEPB), juntamente com a professora Nadja Maria Oliveira, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba (PRPGP-UEPB). Também integram o projeto outros docentes do PPGP como as professoras Simone Simões, Sara Regina e Conceição Menezes. O trabalho une ciência, inovação tecnológica e políticas públicas, mostrando como o investimento em pesquisa pode gerar soluções concretas para problemas que afetam diretamente a população.

Da pesquisa científica à aplicação prática –A tecnologia começou a ganhar repercussão nacional quando casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas acenderam um alerta no país. A partir dos estudos realizados na UEPB, os pesquisadores desenvolveram métodos capazes de detectar fraudes em bebidas alcoólicas sem a necessidade de análises demoradas ou altamente complexas.

Uma das frentes da pesquisa utiliza espectroscopia de infravermelho próximo e médio, conhecida pelas siglas NIR e MIR, associada a ferramentas de modelagem quimiométrica. Na prática, o equipamento emite luz infravermelha sobre a bebida, podendo realizar a análise até mesmo com a garrafa lacrada. A partir da resposta das moléculas, um software interpreta os dados e identifica alterações que não fazem parte da composição original do produto, como presença de metanol, adição de água ou outras substâncias.

Os estudos científicos relacionados à tecnologia foram publicados em revistas internacionais de referência, como Food Research International e Food Chemistry. Os resultados apontam alta precisão na identificação de adulterações, além de permitir o rastreamento de origem de cachaças produzidas no Brejo Paraibano, fortalecendo também a cadeia produtiva regional.

Kits ajudam fiscalização em campo –Além dos equipamentos baseados em espectroscopia, os pesquisadores avançaram no desenvolvimento de kits colorimétricos de detecção de metanol em bebidas destiladas. A proposta é simples e objetiva: por meio de reagentes, o teste indica a presença ou ausência da substância em aproximadamente 15 a 20 minutos, permitindo uma atuação mais ágil das equipes de fiscalização.

Em fevereiro de 2026, o Governo da Paraíba e a UEPB apresentaram os kits de detecção de metanol em solenidade realizada na sede do Procon Estadual, em João Pessoa. Na ocasião, foram entregues os primeiros 200 kits, dentro de uma iniciativa que prevê novas etapas de distribuição e ampliação gradual das ações de fiscalização no território paraibano.

Os kits são acompanhados por um aplicativo com orientações didáticas para o uso correto da ferramenta. O material é destinado exclusivamente a técnicos capacitados e não deve ser comercializado ao público. A medida reforça o caráter preventivo das políticas públicas de defesa do consumidor, especialmente em períodos de grande circulação de pessoas e aumento no consumo de bebidas, como Carnaval e São João.

Investimento público em ciência que protege vidas – A tecnologia desenvolvida na UEPB contou com recursos do Tesouro Estadual, por meio de projetos Secties/Fapesq voltados à transferência de tecnologias portáteis de baixo custo, identificação da origem geográfica de alimentos e bebidas paraibanas, automação e instrumentação analítica para controle de qualidade da cachaça produzida no estado, com apoio de estrutura laboratorial da UEPB.

Para o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Cláudio Furtado, a entrega dos kits mostra a importância de aproximar a produção científica das necessidades da sociedade. “Isso mostra que a ciência produzida na Paraíba tem impacto real na vida das pessoas”, destacou.

Ciência paraibana com impacto nacional –A inovação desenvolvida na Paraíba chamou a atenção de instituições nacionais e abriu caminho para discussões sobre sua aplicação em políticas públicas. A possibilidade de uso em ações de fiscalização, na indústria e em linhas de produção torna a tecnologia estratégica não apenas para a Paraíba, mas para o país.

Para os pesquisadores, o objetivo é ampliar a disponibilidade da solução e avançar na transferência de tecnologia, permitindo que órgãos de vigilância, distribuidoras, bares, restaurantes e demais setores envolvidos na comercialização de bebidas possam contar, no futuro, com ferramentas cada vez mais rápidas e acessíveis.

No São João, período em que a cultura, a economia criativa e o turismo movimentam a Paraíba, a divulgação dessa tecnologia reforça uma mensagem essencial: investir em ciência é também investir em prevenção, segurança, desenvolvimento regional e proteção da vida. A pesquisa financiada pela Fapesq mostra que soluções produzidas nas universidades públicas podem sair dos laboratórios e chegar à sociedade, transformando conhecimento em cuidado concreto com a população.

*Com Secom

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